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15/09/2009
A indústria automobilística se questiona sobre o pós-crise
Nathalie Brafman
Le Monde
O Salão do Automóvel de Frankfurt, que abre suas portas para a imprensa na terça-feira (15) e depois ao público entre os dias 17 e 27, se insere em um período de transição para a indústria automobilística mundial.
A Volkswagen aposta na China para se desenvolver
A número um europeia da indústria automotiva, a alemã Volkswagen (VW), quer investir 4 bilhões de euros até 2011 para reforçar sua presença na China, seu segundo maior mercado depois da Alemanha. "A demanda por nossos modelos está aumentando tão rápido, que nossas capacidades na China não são mais suficientes", reconhece Martin Winterkorn, presidente da diretoria da VW. A montadora aumentará até 2012 a capacidade de produção de duas fábricas, uma em Nanquim (sul) e outra em Chengdu (centro), de 300 mil para 350 mil veículos por ano. Ele não descarta a possibilidade de atingir antes de 2018 seu objetivo de vender 2 milhões de carros por ano na China. No primeiro semestre, a VW vendeu ali 652.200 veículos de suas diferentes marcas (VW, Skoda, Audi), ou seja, um salto de 23% em um anoA crise financeira declarada há um ano mergulhou as montadoras em um marasmo sem precedentes em toda a história da indústria automotiva. Queda nas vendas, aumento dos estoques, diminuição do crédito, fechamento de fábricas... Em 2008, as vendas caíram 18% nos Estados Unidos, 8,5% na Europa Ocidental e 5% no Japão. O colapso continuou no primeiro semestre: as vendas mundiais desabaram 16,5%, para 30 milhões de unidades. Os analistas aguardam uma queda de 12% nas vendas europeias.Nenhuma montadora foi poupada. Nem a número um do mundo: a japonesa Toyota não resistiu à tormenta. Pela primeira vez em sua história, ela terminou o ano de 2008 com prejuízo (-3,3 bilhões de euros) e indicou que 2009 seria ainda pior. Suas vendas deverão se aproximar de 6,5 milhões de veículos, contra 8,9 milhões em 2008, voltando assim ao seu nível de 2003-2004.Para evitar falências, os governos tiveram de aplicar planos de apoio sem precedentes. Na França, a Renault e a PSA Peugeot Citroën obtiveram empréstimos de 6 bilhões de euros (R$ 16 bilhões). Nos Estados Unidos, mais de US$ 40 bilhões (R$ 72 bilhões) foram injetados na General Motors e na Chrysler. Em toda a Europa, foram dados incentivos para a compra de carros. Até a China implantou medidas de apoio ao mercado, que aumentou 6% em 2008. O governo também iniciou uma reestruturação do setor, incentivando as principais montadoras a se unirem e passarem assim de 14 para 10.Um ano mais tarde, todas as montadoras acreditam que o pior passou. Mas serão necessários anos para retomar os volumes de vendas de 2007. Em um estudo, a consultoria Alix Partners permanece cautelosa sobre a boa saúde do setor nos próximos anos.Supondo que o produto nacional bruto (PNB) da zona euro seja positivo no decorrer dos próximos doze meses, as vendas de veículos na Europa não retomariam seu nível de 2007 (quase 16 milhões) antes de 2014. Em compensação, se a retomada da economia não acontecer, as vendas atingiram somente 13 milhões no mesmo prazo, observam os autores.Carlos Ghosn, diretor da Renault e da Nissan, mostra um otimismo ponderado: "A crise financeira ficou para trás, mas a verdadeira retomada não acontecerá antes do primeiro trimestre de 2011 na Europa e no Japão, ou seja, um ano após os Estados Unidos e os países emergentes". Os concorrentes contam com um planejamento similar.Nesse mercado em baixa, a consolidação se acelerou. Convencido de que no futuro será necessário produzir pelo menos 5,5 milhões de carros para ter "uma chance de ganhar dinheiro", Sergio Marchionne, diretor da Fiat, fez uma aposta audaciosa ao comprar a Chrysler. Uma operação de alto risco.
Ghosn também previu uma aceleração nas aproximações das empresas no "Figaro" de quarta-feira (9). "Estamos assistindo a uma explosão de investimentos tecnológicos entre as montadoras, especialmente em veículos com emissão zero de poluentes, em um momento de grande fragilidade financeira. Essa situação os força a trabalharem juntos para dividir os investimentos".Nessas condições, poderá a PSA Peugeot Citroën continuar sozinha? Por muito tempo hostil a uma aproximação, a família Peugeot parece ter dado esse passo. Ainda que a prioridade seja tirar o máximo das parcerias existentes, Philippe Varin, o novo diretor, aumenta o número de contatos. "Nós não hesitaremos, se for preciso, em estudar oportunidades de parcerias de crescimento externo para atingir uma dimensão crítica nos países emergentes", ele diz.No plano das cooperações, ele prossegue em suas negociações com a BMW para reforçar sua parceria nos pequenos motores, e se aliou à Mitsubishi para comercializar a partir do fim de 2010, sob as marcas Peugeot e Citroën, um carro totalmente elétrico baseado no i-MiEV, um modelo da empresa japonesa.Enquanto aguardam a retomada, as montadoras buscam um futuro nos veículos com emissão zero de poluentes, apostando nas motorizações híbridas (que funcionam tanto com eletricidade quanto com gasolina) ou totalmente elétricas.Outra lição da crise: o crescimento das montadoras de países emergentes. Seu atraso tecnológico as impediu até hoje de competirem com as grandes, e a maioria dos especialistas pensavam que elas só seriam competitivas daqui a uns dez anos. Mas a crise acelerou a história, oferecendo-lhes oportunidades de compra de marcas ocidentais.Depois da Tata, que comprou a Jaguar e a Land Rover, a russa GAZ se beneficiará da compra da Opel pelo seu acionista controlador, o banco Sberbank. Ao mesmo tempo, a Saab passará para uma bandeira chinesa: a BAIC se apresentou como compradora, junto com a fabricante sueca de veículos de luxo Koenigsegg.A Volvo, outra marca sueca, poderá esperar o mesmo destino. Sua atual proprietária, a americana Ford, está em contato estreito com as chinesas BAIC e Geely. Também na indústria automotiva, o mundo está se movendo na direção do Oriente.
Tradução: Lana Lim
16/09/2009 - 07h52
Montadoras tentaram adiar divulgação de ranking de carros poluidores
VITOR MORENOPABLO SOLANO
16/09/2009 - 07h52
Montadoras tentaram adiar divulgação de ranking de carros poluidores
VITOR MORENOPABLO SOLANO
da Folha de S.PauloMARTA SALOMONda Folha de S.Paulo, em Brasília
As montadoras de veículo tentaram adiar a divulgação pelo Ministério do Meio Ambiente de dados sobre emissão de poluentes com o argumento de que novos limites entraram em vigor no início deste ano. "A única bronca [dos fabricantes] é que não queriam que divulgássemos hoje [ontem]", relatou o ministro Carlos Minc.
O ranking apontou que, apesar de terem um combustível considerado mais limpo, os carros a álcool ocupam oito das 15 piores posições --alguns têm motor "flex". Foram consideradas na análise as emissões de três gases poluidores --monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio-- que não têm efeito sobre o aquecimento do planeta, mas afetam a saúde.
Adriano Vizoni/Folha Imagem
Corsa é o primeiro no ranking de emissão de poluentes, diz Ministério do Meio Ambiente
"Seria mais adequado aguardar", confirmou Henry Joseph Junior, presidente da comissão de energia e ambiente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). "Somente mais recentemente passamos a ter a demanda por esse tipo de informação por parte dos consumidores. Queríamos colocar os dados no próprio site da Anfavea, mas o ministério se antecipou.'
Para a entidade, como a nova regra de emissão é mais rígida que a anterior, haveria mais veículos com notas melhores. Dados sobre veículos produzidos em 2009 deverão ser divulgados no final de outubro ou início de novembro, disse Minc.
"De qualquer forma, aprovamos totalmente. A visibilidade dos dados é uma coisa salutar e não nos magoa", afirmou.
A Folha procurou as fabricantes dos cinco veículos que aparecem no topo do ranking de emissão. A General Motors do Brasil, que produz o Corsa 1.4 e o Montana 1.4 --o primeiro e o terceiro da lista--, disse que desconhece os critérios do ranking e que vai avaliar o assunto.
A Peugeot do Brasil, fabricante do 307 Sedan 1.6, o segundo da lista, afirmou ainda não ter posicionamento. Já a Citröen do Brasil, fabricante do Xsara Picasso 1.6 e do C3 1.4, quarto e quinto colocados, disse que não foi possível contatar sua área técnica e, portanto, não tinha como se posicionar.
Para o assessor de testes do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Marcos Pó, o governo precisa obrigar as montadoras a etiquetar a nota de emissão de poluentes nos carros, a exemplo do que ocorre com os eletrodomésticos em relação ao consumo de energia. A medida, diz, poderia alterar a opção de compra dos consumidores. "Qualquer pessoa hoje se lembra de prestar atenção no selo de eficiência energética das geladeiras."
16/09/2009 - 07h31
Veículos a álcool estão entre os mais poluidores
MARTA SALOMONda Folha de S.Paulo, em Brasília
O Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem um ranking dos automóveis mais poluentes comercializados no país. Apesar de terem um combustível considerado mais limpo, os carros a álcool ocupam oito das 15 piores posições --alguns têm motor "flex".
"A nossa intenção é que o consumidor também leve em conta as emissões de poluentes", disse o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente).
Foram feitas 250 avaliações de veículos leves produzidos em 2008 -os automóveis "flex", que representam 85% da frota comercializada no país em 2008, tiveram duas avaliações diferentes, uma para gasolina e outra para álcool.
Foram dadas notas de um (piores) a dez (melhores) para a emissão de três gases poluidores --monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio-- que não têm efeito sobre o aquecimento do planeta, mas afetam a saúde.
Essas notas, chamadas de verdes, não levam em conta a emissão de gás carbônico --CO2, o principal gás causador do efeito estufa.
Nesse ranking das notas verdes, o melhor desempenho foi do Focus 2.0, da Ford, movido a gasolina, com nota 9,4. O pior desempenho foi do Corsa 1.4, da Chevrolet, quando movido a gasolina. Apenas oito carros obtiveram notas superiores a nove, liderando a lista dos menos poluentes.
As notas foram baseadas em informações colhidas durante o licenciamento dos veículos. Todos os modelos avaliados observam, portanto, os limites máximos de emissão adotados no país em 2008. Em janeiro, esses limites tornaram-se mais rigorosos. Novos limites entrarão em vigor em 2014.
Gás carbônico
O ministério também atribuiu pontuação (chamadas notas vermelhas) para a emissão de CO2 (numa escala de cinco a dez). Essas notas, no entanto, não entraram no cálculo para a criação do ranking dos mais poluidores porque foram dadas apenas aos veículos a gasolina.
Isso porque o governo considera, seguindo orientação internacional, que a produção do álcool combustível a partir da cana-de-açúcar captura carbono da atmosfera, zerando a emissão de gás carbônico.
Quando combinada a posição no ranking (nota verde) com o grau de emissão de gás carbônico (nota vermelha), o pior desempenho foi do Ford Ranger XL 2.3.
No endereço eletrônico do Ibama (http://www.ibama.gov.br/) é possível saber em detalhes quanto cada automóvel polui.
Também estão disponíveis dados sobre o consumo de combustível organizados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial).
Editoria de Arte/Folha Imagem
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Cristina Baddini Lucas