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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Telhados brancos


Um projeto de lei já aprovada em primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo (capital) traz a proposta de que as novas casas construídas na capital sejam obrigadas a ter o telhado pintado da cor branca. Já imaginou?

Esta medida teria caráter ambiental. Sabe por quê? O telhado branco absorve menos raios do sol e ajuda a combater as ilhas de calor da cidade.

O autor desta idéia, o vereador Goulart (PMDB) acredita que, se toda a cidade adotasse os telhados desta cor, a temperatura da capital seria até 2°C menos quente do que é hoje.

E agora o texto precisa ser aprovado em segunda votação antes de ser enviado à sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os vereadores aprovaram o texto (PL 615/2009) no último dia 10, em votação simbólica.

O vereador ainda diz que a votação definitiva do projeto deve ocorrer logo. “Tivemos uma reunião do colégio de líderes (das bancadas partidárias) e a expectativa é que o texto seja votado na semana que vem (esta semana)”, diz.

O projeto que defende o meio ambiente acrescenta um artigo à Lei 11.228, de 1992, que impõe regras para a construção de imóveis na cidade. A legislação estabelece multa de R$ 963,30 para quem executar obras sem obter licença prévia (ou construir em desacordo com a licença obtida).

“A ideia é que depois de aprovada (a lei), a Prefeitura desenvolva campanhas de conscientização com programas para a pintura de todos os imóveis”, diz.

Onde tudo começou…

Pintar os telhados das casas de branco é uma ideia defendida há cerca de três anos pela Green Building Council Brasil, ONG que deu subsídios aos dados divulgados pelo parlamentar.

O grupo defende que os telhados escuros retêm mais luz do sol e, assim, ficam mais quentes. Como 25% do terreno das cidades correspondem aos telhados , a opção pela cor branca reduziria a formação de ilhas de calor nas áreas urbanas. Segundo Nelson Kawakami, diretor da entidade, outro benefício importante seria a redução do consumo de energia elétrica já que o interior das casas também ficaria menos quente e, assim, a população usaria menos ar condicionado, e menos consumo de energia é sempre benéfico para o meio ambiente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cidades consomem 70% dos recursos naturais do planeta


Segundo a Organização das Nações Unidas, mais da metade da população mundial vive atualmente em cidades e já é responsável pelo consumo de 70% de todos os recursos naturais do planeta.
Até 2050 os números podem se tornar ainda mais preocupantes: com a estimativa de que a população do planeta supere 9,2 bilhões, acredita-se que haverá 6 bilhões de pessoas vivendo em áreas urbanas.
Os dados foram divulgados em um relatório inédito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Ele foi apresentado em Curitiba e divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente.
“A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para Políticas Locais e Regionais (TEEB, sigla em inglês)” foi lançado ao mesmo tempo no Brasil, na Bélgica, Índia, Japão e na África do Sul. A conclusão dos 140 especialistas entrevistados nas áreas de ciência, economia e política de mais de 40 países é a de que os serviços ambientais podem impulsionar as economias locais, gerar milhões de novos empregos e melhorar a qualidade de vida nas cidades.
A principal questão levantada no relatório é a necessidade de incluirmos nas contas de planejamento governamentais a chamada “pegada ecológica e social do homem”- que designa a quantidade de recursos naturais necessários para que cada ser humano viva.
Em especial, três aspectos deveriam ser foco da atenção das políticas públicas: a distribuição dos recursos naturais, o uso do conhecimento científico disponível e o engajamento dos gestores e das comunidades em ações de preservação.
Esse é o primeiro de uma série de cinco relatórios, que serão levados à Convenção da Biodiversidade (COP-10) em Nagoya, no Japão.

Com informações do Ministério do Meio Ambiente

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Quem mora em via com trânsito sofre mais com poluição, diz estudo

Jovens tendem a ser hospitalizados nessas áreas, revela pesquisa da USP.Centro de São Paulo apresenta maior concentração de poluentes.

Uma pesquisa da USP revela que nas regiões de maior tráfego de veículos a saúde dos jovens e crianças é mais afetada neste inverno seco.

“As pessoas que moram nessas regiões apresentaram uma maior chance de serem hospitalizadas por problemas respiratórios nesses eventos em que há a poluição do ar”, explica a pesquisadora Giovana Moser de Toledo.

Na tarde desta segunda (23), nenhuma das 20 estações de medição da qualidade do ar na região metropolitana indicou boas condições. Em cinco, o ar estava inadequado.

Nesta época, aumenta o número de crianças com doenças respiratórias e os ambulatórios da cidade ficam lotados. Em um hospital infantil do Centro, a cada cem pacientes atendidos, 80 estão com problemas para respirar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Carbono negro aumenta efeito das mudanças climáticas


O crescimento das taxas do chamado carbono negro acelera o aquecimento global, segundo estudo desenvolvido pelo Instituto Scripps de Oceanografia de La Jolla, na Califórnia (EUA), e publicado na revista científica Nature. O levantamento mediu as concentrações de fuligem em diferentes pontos da China.
Segundo o estudo, os aerossóis de carbono negro absorvem a radiação solar, o que transforma o componente em um dos fatores que mais agravam o aquecimento global, atrás apenas do dióxido de carbono (CO2). O carbono negro é a fuligem proveniente da queima de biomassa, como lenha e carvão, e também de combustíveis fósseis.
Uma das conclusões do estudo é que a redução das emissões de carbono negro pode resultar na mitigação das mudanças climáticas em curto prazo, uma vez que tal substância permanece na atmosfera durante poucas semanas.
O carbono negro pode viajar longas distâncias pela atmosfera terrestre, em um percurso no qual se mistura com outros aerossóis, como nitratos e sulfatoss. Esta mistura origina colunas de nuvens marrons de 3 a 5 quilômetros de espessura que impedem que a radiação solar visível chegue à superfície terrestre, o que prejudica o ciclo do hidrogênio e aquece a atmosfera.
Trópicos
A maior concentração do carbono negro se dá nos trópicos, onde a radiação solar é maior. A deposição de carbono negro também pode escurecer a neve e o gelo, aumentando sua absorção do calor local e contribuindo com o derretimento das geleiras e os pólos, em particular do Círculo Polar Ártico e da Cordilheira do Himalaia.
A queima de biocombustíveis, de combustíveis fósseis e de biomassa é a principal fonte de emissão do carbono negro na atmosfera. As maiores concentrações são dos países em desenvolvimento situados nos trópicos e no Leste Asiático, especialmente grande parte do Brasil e do Peru, a Índia, o Leste da China, o Sudeste Asiático, o México e a América Central.

Via Ecodesenvolvimento

postado por: Cristina Baddini Lucas

terça-feira, 13 de julho de 2010

São Paulo é 6º pior trânsito do mundo



São Paulo tem o sexto trajeto mais penoso entre casa e trabalho, atrás de locais como Pequim e Cidade do México.
As informações são de um estudo global da IBM que analisou os problemas enfrentados pelos cidadãos devido aos congestionamentos nas grandes cidades.
A pesquisa foi feita em maio deste ano em 20 cidades de cinco continentes e entrevistou 8.192 motoristas. O objetivo era analisar as diferenças regionais em dois quesitos: tempo de viagem e tempo preso no trânsito. Os entrevistados também deveriam concordar ou não com outras oito afirmações propostas: o preço da gasolina já está muito alto, o trânsito piorou, o tráfego que anda e para é um problema, dirigir causa estresse, dirigir causa irritação, o trânsito afeta o trabalho, o trânsito é tão ruim que as pessoas param de dirigir e se a pessoa decidiu não fazer viagens devido ao trânsito.
Para 67% das pessoas, o trânsito piorou nos últimos três anos, sendo que 18% acreditam que a situação piorou muito. Pequim e Cidade do México têm as viagens para o trabalho mais desconfortáveis, enquanto São Paulo tem o sexto trajeto mais penoso entre casa e trabalho. Moscou tem congestionamentos de até três horas.
No geral, 57% de todos os entrevistados dizem que o trânsito tem efeitos negativos para sua saúde. Em Nova Délhi, este número chega a 96%; em Pequim, 95%. Já 29% dos entrevistados afirmam que o trânsito afetou negativamente seu desempenho no trabalho ou na escola.
Estocolmo se destacou porque apenas 14% dos motoristas entrevistados disseram que o trânsito nas ruas afetou negativamente seu desempenho.
A IBM compilou os resultados da pesquisa em um índice que avalia o custo econômico e emocional das viagens entre casa e trabalho dentro de cada cidade em uma escala de um a 100, sendo 100 o custo máximo.

As cidades tiveram as seguintes pontuações: Beijing: 99, Cidade do México: 99, Johannesburgo: 97, Moscou: 84, Nova Delhi: 81, São Paulo: 75, Milão: 52, Buenos Aires: 50, Madri: 48, Londres: 36, Paris: 36, Toronto: 32, Amsterdã: 25, Los Angeles: 25, Berlim: 24, Montreal: 23, Nova Iorque: 19, Houston: 17, Melbourne: 17, Estocolmo: 15.
São Paulo
Na capital paulista, 61% dos entrevistados afirmam que o tráfego piorou nos últimos anos. A pesquisa revela que 32% dos condutores mudou o local eaforma de trabalhar devido à recessão: 21% estão adotando esquemas de transporte solidário e 15% estão trabalhando mais em casa. Já 60% dos motoristas (a quarta porcentagem mais alta dentre as 20 cidades) trabalham pelo menos um dia por semana em casa, e 16% trabalham os cinco dias em esquema home Office.
Em São Paulo também:
• 73% dos motoristas disseram que o tráfego urbano afetou negativamente a saúde. 55%, tiveram aumento de estresse, o segundo índice mais alto entre todas as cidades, atrás apenas da Cidade do México, com 56%.
• 38% disseram que o tráfego afetou negativamente seu desempenho no trabalho/escola.
• 45% disseram que houve uma ocasião nos últimos três anos em que o tráfego estava tão ruim que eles deram meia-volta e retornaram para casa.
• 47% disseram que decidiram não fazer uma viagem no último mês devido ao tráfego previsto. As viagens mais canceladas foram as de lazer (44%).
EcoPlanet
postado por: Cristina Baddini Lucas

terça-feira, 13 de abril de 2010

Poeira tóxica acumulada em residências


A poeira da sua casa pode representar um grande risco à sua saúde. Essa foi a conclusão de recente pesquisa realizada em residências de quatro bairros da região norte de São Paulo. A análise de amostras de poeira doméstica mostrou grandes quantidades de componentes químicos, como metais pesados e aditivos usados na fabricação de plástico. Essas substâncias provocar anemia, alergias, distúrbios endócrinos e até mutações genéticas.

Segundo a química Valdirene Scapin, que realizou o estudo em seu doutorado no Centro de Química e Meio Ambiente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), a ideia de analisar a poeira doméstica surgiu a partir de sua própria experiência com a limpeza da casa. “Assim como eu, várias outras donas de casa precisam saber o que esconde a poeira com que elas lidam todos os dias”, diz.

Dentre os compostos químicos encontrados na poeira, estavam metais como cobre, chumbo, zinco e níquel, além de ftalatosPara a pesquisa, orientada pela química Ivone M. Sato, do Ipen, foram coletadas amostras de poeira em ambientes fechados de residências de áreas próximas a indústrias, aterros sanitários e rodovias, para avaliar o nível de contaminantes presentes no material. Com o auxílio de um aspirador de pó e filtros de papel, os próprios moradores coletavam a poeira de janelas, do chão, de tapetes e de móveis.

Depois, os pesquisadores identificaram os componentes orgânicos e inorgânicos presentes no material. Dentre os compostos químicos encontrados, estavam metais prejudiciais à saúde, como cobre, chumbo, zinco e níquel, além de ftalatos, grupo de substâncias orgânicas industriais presentes em plásticos, cosméticos e têxteis.




A análise da poeira retirada de residências paulistas, feita com um agitador eletromagnético, identificou a presença de metais tóxicos e substâncias nocivas usadas na fabricação de plásticos, cosméticos e produtos têxteis. A análise mostrou que a quantidade de zinco, cobre, chumbo e níquel encontrada na poeira doméstica é de 664 a 3.721 vezes maior do que os valores totais a que os adultos normalmente podem estar expostos em locais fechados. Esses metais podem causar náuseas, diarreia, anemia e alergias e até representar riscos mais sérios à saúde, como danos ao sistema nervoso central e aos órgãos internos.

Segundo Scapin, a presença desses metais pesados pode estar relacionada aos hábitos dos residentes e a fatores externos. O chumbo, por exemplo, pode aparecer devido ao uso de cerâmica, vidros, baterias ou inseticidas. Outros elementos podem migrar para as residências a partir de sapatos e roupas que tiveram contato com o meio exterior.

Os grandes vilões do plástico

A pesquisadora também encontrou altas concentrações de ftalatos na poeira doméstica. “A quantidade encontrada foi surpreendente e assustadora”, confessa. Na indústria, os ftalatos (ou ésteres ftálicos) são incorporados a outros materiais para garantir maior flexibilidade aos objetos. Esses compostos são usados na fabricação de componentes eletrônicos, brinquedos, utensílios domésticos e produtos de higiene pessoal.

O contato humano com essas substâncias pode causar diversos problemas à saúde, em especial nas crianças, grupo mais vulnerávelMas os ftalatos podem se desincorporar desses materiais, migrar para o ambiente e, assim, ser absorvidos pelas pessoas. O contato humano com essas substâncias, seja por ingestão, inalação ou pela pele, pode causar diversos problemas à saúde, em especial nas crianças, grupo mais vulnerável.

Testes realizados com animais mostram diversos efeitos desses compostos, como diminuição da fertilidade em fêmeas, níveis de hormônio alterados, danos uterinos, defeitos fetais e redução da sobrevivência dos filhotes. Além disso, essas substâncias são classificadas como desreguladores endócrinos e degeneradores do fígado e dos testículos. Mas a maior preocupação em relação aos ftalatos está na sua capacidade de ativar células cancerígenas.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a concentração de poluentes nos ambientes internos é de 2 a 5 vezes maior que nos externos. “Como passamos de 80 a 90% do nosso tempo nesses ambientes, a preocupação deve ser ainda maior”, enfatiza Scapin. E acrescenta: “Devemos fazer um trabalho de prevenção e evitar o uso de materiais de plástico de má qualidade, preferir produtos de limpeza à base de água e garantir a limpeza dentro de casa.”



Larissa Rangel
Ciência Hoje On-line

terça-feira, 30 de março de 2010

O carro elétrico é mais caro e polui mais?

Para responder a esta questão, temos de perceber o que está por detrás do preço e da poluição. No primeiro caso referimo-me ao preço do KWh e no segundo às emissões de CO2 e de outros gases de efeito estufa. De modo algum uma análise de um carro elétrico se resume a estes dois parâmetros, mas são eles que vão condicionar principalmente a aceitação pelo mercado e a real mudança de paradigma.


Começando pelas emissões. A energia elétrica provém da queima de fontes fósseis, barragens (hídrica), energia eólica (aerogeradores), painéis fotovoltaicos e outras renováveis, mas estas são as que hoje mais implementadas estão. Na queima de combustíveis fósseis, usam-se centrais termoelétricas para se vaporizar água e com o vapor obter energia elétrica através do uso de turbinas. As barragens utilizam a diferença de altura (energia potencial) para produzirem energia elétrica movendo uma turbina, a energia eólica com o movimento das suas pás gera energia elétrica através de uma turbina igualmente e no caso dos painéis fotovoltaicos é o efeito fotovoltaico que está aqui em jogo que permite produzir uma corrente elétrica através da radiação solar (utilizando alguns materiais semicondutores). Cada tecnologia tem o seu rendimento e as suas emissões de CO2.

Os carros deviam pagar pelas suas emissões: no caso dos à gasolina/óleo diesel é fácil e é apenas pagar, no veículo elétrico a mesma coisa deve acontecer consoante o tipo de KWh consumido. Penso ser este o mecanismo regulador que falta implementar a nível global nos países ditos desenvolvidos. A origem do KWh deve ser completamente transparente para que os tarifários verdes possam ser uma realidade e aí sim temos um mecanismo verdadeiramente limpo. No entanto atualmente as renováveis necessitam de mudanças na infra-estrutura de rede de distribuição elétrica e nada garante que consigamos fazer uma correspondência entre os consumos nos automóveis e o fornecimento de eletricidade renovável.

Não é ser contra o veículo elétrico, antes pelo contrário, mas empurrar o problema para a frente não é a solução e temos de encarar os transportes elétricos e a produção de eletricidade como um todo para se perceber o cenário total e não apenas parcial. Ninguém fala em redução do uso de transportes, apenas a massificação de veículos elétricos e isso não resolverá problema alguma a nível do trânsito das cidades. Os transportes públicos continuam a ser um vetor essencial e andam meio esquecidos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Relatório do governo culpa carro e moto por poluição no trânsito

A frota de carros e motocicletas do país emite 40 vezes mais CO (monóxido de carbono), poluente oriundo da queima de petróleo e que afeta o sistema cardiovascular, do que a frota de ônibus urbanos. É o que revela estudo inédito divulgado ontem pelo Ministério do Meio Ambiente, que realizou um inventário das fontes de poluição por veículos usados no transporte rodoviário.



Segundo o estudo, em 2009 as emissões de CO por parte de carros e motos corresponderam a 83% do total desse gás no transporte rodoviário. Os ônibus responderam por 2%. O número de usuários em cada modalidade, porém, foi equivalente: o transporte coletivo somou 16,8 bilhões de passageiros em 2008 e 2009 e o individual, 17 bilhões.



Para o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), o resultado, "completamente gritante e chocante", revela a falência do modelo de transporte no Brasil. "Isso mostra realmente a falência do sistema público de transporte, o atraso do metrô, as deficiências do trem, questões que a gente tenta enfrentar agora em algumas cidades."





Ao longo das últimas três décadas, porém, as emissões de poluentes como o CO vêm caindo no país, a despeito do aumento da frota de veículos - em 1980, o número de carros era de 7,5 milhões; em 2008, bateu 21,1 milhões. Somando-se os outros veículos, a frota nacional em circulação chega a 36 milhões de unidades.



Segundo o ministro, a queda ocorreu devido à implementação do Proconve (Programa de Controle de Poluição Veicular), no fim da década de 80. O programa, que passou a estipular limites máximo de emissões de poluentes para os veículos, levou ao desenvolvimento de motores e combustíveis.



"Antes, a emissão de CO de um carro era de 58g/km; hoje, o limite máximo é de 0,5g/km", explica o gerente de qualidade do ar do ministério, Rudolf Noronha. Na próxima fase, a ser implementada em 2013, o valor máximo será de 0,3g/ km.



Com isso, as emissões de CO em 2009 foram de cerca de 1,5 milhão de toneladas. Em 1992, o total ficou próximo de 5,5 milhões de toneladas, maior valor já registrado no país.



Reduções semelhantes também foram verificadas nas emissões de hidrocarbonetos não metano, óxidos de nitrogênio, material particulado e aldeídos, poluentes que também são regulados pelo governo.



A liberação de CO2 (dióxido de carbono) decorrente da queima de combustíveis fósseis, porém, aumentou de forma contínua ao longo dos anos - dos 60 milhões de toneladas anuais estimados para 1980, passou para 140 milhões de toneladas em 2008. O CO2 é um dos gases responsáveis pelo aquecimento global, mas, como não era considerado poluente, não teve seus limites de emissão estabelecidos pelo governo.



Número de motos cresce 3.000% desde 1980



Em pouco menos de três décadas, o número de motocicletas em circulação no país saltou de 270 mil para 9,2 milhões. A expansão -de mais de 3.000%- entre 1980 e 2008 foi a maior

registrada entre os diferentes tipos de veículos rodoviários que circulam no país.



No entanto, ao contrário do que ocorreu com o segmento de automóveis, no qual o crescimento da frota foi acompanhada de uma migração para veículos flex, no caso das motocicletas, quase todas são movidas a gasolina, combustível mais poluente. De todas as motos em circulação em 2009, apenas 2% funcionavam tanto com álcool quanto com gasolina.



O controle sobre as emissões de poluentes por parte dos veículos de duas rodas também é recente - até 2002, não havia qualquer regra sobre o assunto. Com isso, uma moto poluía o mesmo que três carros. Hoje, segundo o gerente de qualidade do ar do Ministério do Meio Ambiente, Rudolf Noronha, os números já são equivalentes.



Para o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), a explosão na quantidade de motos em circulação está relacionada à qualidade baixa e ao preço alto do transporte público, além dos engarrafamentos cada vez maiores nas cidades. A projeção é que, em 2020, o número de motocicletas em circulação no Brasil chegue a 20 milhões.



O ministro afirma, porém, que a população precisa atentar para o problema ambiental e urbano causado pelos meios de transporte. "Ela [a população] pode escolher veículos



menos poluentes, utilizar transportes alternativos e exigir dos governantes medidas efetivas para um transporte integrado nas grandes cidades", afirmou.



Ele lembrou que, no site do Ibama (www.ibama.gov.br), é possível consultar a "nota verde" dos veículos comercializados no país, atribuída de acordo com as características e níveis de emissão de poluentes e gases do efeito estufa.

Denatran,

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lista do governo coloca 22 carros como menos poluentes


O Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta terça-feira (1º/12) a lista de veículos do ano 2009 com índice de emissão de poluentes e de gás carbono (que causa o efeito estufa). Do total de 402 veículos analisados, 22 do tipo flex receberam nota máxima de aprovação, que corresponde a 5.


São seis carros da Fiat, um da Ford, sete da GM, três da Citroen e cinco da Volkswagem. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acredita que com base nesse levantamento, o consumidor poderá acessar a página do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na internet, e fazer a avaliação para a compra o carro menos poluente.
Diante das críticas de fabricantes de automóveis e de combustíveis sobre o critério de classificação utilizado no ano passado, quando os carros receberam uma nota por emissão, a pasta resolveu criar um grupo de trabalho, formado por montadoras, pela Petrobras, pelo Ibama e por fabricantes de álcool para a criação de um conceito único de classificação, com base na soma dos poluentes com o emissores.


Os modelos que receberam nota máxima são: Idea Adventure Duoalogic 1.8, Palio ELX 1.8, Siena HLX 1.8, Stillo Flex Dualogic 1.8, Stilo Blackmotion e Stilo Sport Dualogic 1.8, da Fiat; o K 1.0, da Ford; e C3 EXCL 1.4, C3 GLX 1.4 e C3 XPL 1.4, da Citroën. Além desses, foram listados da GM o Prisma Max 1.0, o Celta duas portas Life 1.0, o Celta duas portas Sprit 1.0, o Celta duas portas Super 1.0, o Celta 4 portas Life 1.0, o Celta 4 portas Spirit 1.0 e o Celta 4 portas Super 1.0. Da Volks, apareceram o Fox 1.6 Plus, o Fox 1.6 Route, o Space Fox 1.6, o Space Fox Sport Line 1.6 e o Space Fox Route 1.6. (AE)


Cristina Baddini Lucas

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A poluição acelera o envelhecimento

Carros terão de poluir menos a partir de 2014
Folha de S. Paulo

Carros novos de passeio e de passageiros terão de sair das fábricas emitindo 33% menos poluentes, em média, a partir de janeiro de 2013, no caso dos veículos movidos a diesel (caso dos utilitários, como Picape S10 e Ford Ranger), ou de janeiro de 2014, no caso dos que são movidos a gasolina e álcool, informa reportagem de Marta Salomon e Ricardo Ribeiro para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal). A nova fase do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) foi aprovada nesta quarta-feira pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). No entanto, os padrões que o país terá em pouco mais de três ou quatro anos estão defasados em relação aos que já vigoram atualmente na Europa e nos Estados Unidos. O corte nas emissões do monóxido de carbono, no caso dos veículos que pesam até 1.700 kg, será de 35% (passará dos atuais 2 g/km para 1,3 g/km). Os veículos de maior peso passarão dos atuais 2,7 g/km para 2 g/km (queda de 26%). A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) afirmou que os novos limites e prazos serão cumpridos.


Poluição. A nossa saúde está em jogo
Cristina Baddini Lucas

A poluição mata cerca de 3 milhões de pessoas no mundo a cada ano segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Só em São Paulo, são mais de 2,5 mil/ano as vítimas fatais. Esses poluentes que contaminam o nosso ar são gerados principalmente pela queima dos combustíveis fósseis.
A frota de veículos automotivos só tem aumentado e recebido incentivos dos Governos. Boa parte da culpa pelo alto índice de poluição é também devido ao grande número de automóveis velhos que aqui circulam. A inspeção veicular deveria direcionar seus olhos para a emissão de gases poluentes causada pelos veículos mais velhos e transporte de cargas que em larga escala são observados circulando pelas cidades expelindo gases tóxicos e poluentes muito acima dos volumes permitidos.
O simples e vital ato de inspirar faz com que os gases nocivos à saúde, como o óxido de nitrogênio, o monóxido de carbono e o ozônio vão direto para nossos pulmões. E não pense que ligar o ar-condicionado impede que os gases entrem no carro. Pesquisadores da Cetesb observaram que é melhor circular com uma janela ligeiramente aberta pois o duto de entrada de ar fica bem na altura dos escapamentos. Quando passar por túneis, feche os vidros completamente pois a concentração de gases aumenta.
A exposição à poluição acelera o envelhecimento por aumentar as substâncias oxidantes no organismo. O monóxido de carbono causa lentidão dos reflexos e sonolência. O dióxido de nitrogênio pode agravar a asma e reduzir as funções do pulmão. O ozônio também causa inflamação nos pulmões, além disso, a poeira pode criar alergias, irritação da vista e da garganta.
Uma boa dica para evitar tantos efeitos nocivos é consumir frutas, verduras e legumes ricos em vitamina C, como pêssego e pimentão vermelho, que estimulam a produção de glutationa, enzima do fígado que ajuda a impedir a ação dos radicais livres produzidos pelo organismo quando inspiramos gases nocivos.
Proponha aos amigos e vizinhos o rodízio de carona e use mais o transporte público. Vá a pé ou de bicicleta sempre que possível. O meio ambiente urbano é um problema sério, mas nem de longe tem recebido a atenção necessária ou tem tido sua análise de causa e efeito tratados de maneira intelectualmente honesta. O ar atmosférico merece cuidados especiais para que o meio ambiente em que vivemos nos proporcione uma boa qualidade de vida.